(eter)

26 fevereiro 2007

songs of devotion


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4 comentários:

LF disse...

Ora ai está um grupo que eu adorava quando era adolescente, e que com o passar dos anos fui pondo completamente de lado.
Não como alguns que deixei de ouvir mas de vez em quando gosto de recordar. Neste caso deixei mesmo de gostar, para passar a não gostar.

Chegeui a ter a discografia toda gravada em cassete, sabia as letras de cor, e ainda tenho para lá os livros do Morrison.
Aos 16 anos achava o máximo. Agora acho tudo aquilo uma idiotice.

A dúvida que hoje tenho é até que ponto a música dos Doors não será apenas um apêndice do verdadeiro produto que era a personalidade controversa do seu vocalista e lider, que também, verdade se diga, deu mais nas vistas pela completa auto-degradação, adicção a drogas, e manifestações provocatórias de imbecilidade gratuita do que por qualquer outro motivo, se bem que os tempos fossem outros e o pessoal na altura (Maio de 68 etc) achasse muita piada àquelas coisas.

Bem, se calhar estou a ser demasiado duro. Algumas letras de canções até são bem conseguidas.
Mas música, música mesmo à séria, pouco se encontra em toda a discografia dos Doors.
Estarei a ver mal ?

cj disse...

quanto a mim, vou precisamente pelo oposto.
nunca liguei muito à envolvência do fenómeno (também não "vivi" aquilo, nem os doors tiveram o reconhecimento na época que viriam a ter depois de jim morrison morrer), mas sim à música.
não sou fundamentalista, portanto não ligo muito aos fundamentos dos fenómenos, passe a redundância, ou seja, o que para alguns é o cerne da existência de algo, neste caso um grupo que toca música, como a envolvência social, os pós-traumas da guerra do vietname e o que representou na sociedade americana, etc.; para mim é apenas história, não querendo analisar, pois, essas questões.
muito menos a questão da poesia - que para isso temos muito melhores leituras - nem pela controversa vida de jim.
a mim interessa-me, sim, a forma.
obviamente, pela força do personagem criado por morrison, que as coisas não serão assim tão simples, mas isso só contribuíu para me aguçar o apetite da minha vivência, como disseste, teenager.
o que ficou, então?
nada mais que a música, rock alimentado pela poesia de jim, sem dúvida, mas com uma base musical muito mais importante do que o que queres dar a entender com o comentário acima.
basta recordar a época em que estas músicas foram feitas e fazer uma brave regressão histórica (musical) para se ter uma ideia mais concreta do contributo dado.
a impressão com que fico é que, quem gostava - como tu - dos doors há uns anos atrás e deixou de gostar, gostava pelas razões - não digo erradas - mas por outras que se traduzem na colagem à mensagem e à atitude do fenómeno jim morrison e não propriamente pela música.
sinceramente, com todo o fascínio que esse personagem representa, a mim sempre me interessou muito mais a música, da qual recordo e admiro um legado que ainda hoje (de muito em muito tempo) me dá prazer ouvir.

LF disse...

Talvez tenhas razão.
Talvez o que eu gostasse nos Doors aos 15 anos fosse algo que não propriamente a música em si.
É verdade que existe alguma originalidade nalguns temas.
É também verdade que naquela época tudo aquilo era novo.

Mas continuo a pensar que os Doors têm uma fama desproporcionada face à sua qualidade musical.
Se compararmos com grupos como Led Zeppelin, muito menos famosos mas muito mais ricos musicalmente (na minha opinião), percebe-se o que quero dizer.

cabaret disse...

No fundo os Doors eram isso mesmo, umas portas que ainda hoje, abrem sensações desconcertantes uma vez transposta a porta.
Toda a sua musicalidade fluia na direcção poética e é feita de uma sonoridade única, tão forte e intensa que ainda hoje nos embriaga...mas á distância...(?).

Ah!...Grossens mokens também.