(eter)

20 julho 2008

cidade branca

Onde estão os meus amigos?

Remotas memórias
Saltitam
Pululam
Cheiros / odores / miragens

O café
O sorriso
Olá como está!
E outras encenações
A novidade
A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal

Ai..a imperial da Munique
Os destemidos tremoços
Moços, maçons
Canalha / navalha
Pensa coração
Amigos onde estais?

A sueca com minis à mistura
O relato da bola
A malha / copo de 3
A feira do relógio
O relógio da feira
Sandes de couratos / vinho de Torres
Jogging de Marvila

Domingo
Especialmente domingo
Barbeados / dentes lavados
E martinis no plástico labrego
Alumínio / moderno / kitch / mau gosto

12 cordas / mãozinhas
Salteadores da razão perdida
Perdidos / enjaulados

Correio da manhã
O cú da vizinha do 9ºB
Regalo para a vista
Suplemento a cores com salários em atraso

E a Lisnave / petroquímica
Cancros do meu Tejo
Apodrecendo lentamente o azul das águas

E eu, impotente / cinemascope / 35 milímetros de mim
A raiva afogada entre cubas libres e pernas de mulheres
Que não são putas nem são falsas nem são nada

São pernas de mulheres e cubas libres simplesmente
Paga-se a saudade com cartão de crédito


Táxi
Leva-me para onde está o meu amor

Táxi
Leva-me para lá de mim

Táxi
Atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios


sam the kid - slides (retratos da cidade branca)

4 comentários:

Anónimo disse...

Decidi, depois de já ter passado por cima algumas vezes, ler este texto até ao fim, com "olhos de quem lê"... não percebo porque foi aqui colocada a letra desta música: por ser boa? Por ser má? Porquê?
Cumprimentos

cj disse...

para comparar ouvindo a música.
ainda bem que levantou a questão.
é um poema - de Viriato Ventura - que consegue criar um ambiente reconhecível e nostálgico, de uma Lisboa ainda actual nalguns aspectos.
embora numa forma musical que não me diz muito respeito, se bem que sam the kid tenha gravado, quanto a mim, um disco incontornável na história da música portuguesa (Beats Vol 1: Amor).
é um poema que, neste registo musical, ganha ainda uma dimensão extra.
mas se calhar o melhor é ouvir a música.

Anónimo disse...

Percebi e dou-lhe razão. Obrigado.

cabaret disse...

ainda bem que me atrevi a ouvir o poema, muito bom.