(eter)

26 março 2007

retrocesso

A pior coisa que o rapaz podia ter feito era cantar.
Não havia necessidade, quanto a mim - que do hip hop só aproveito os beats - de dar voz às músicas, sendo já habitual que a maior parte dessa nova poesia urbana seja execrável.
Temos e já tivemos bastantes exemplos de projectos de qualidade que utilizam o hip hop como base rítmica, basta pensar em vários exemplos de Viena, nos franceses dos anos 90 ou nos artistas de algumas editoras, como a Ninja Tune ou a já extinta GrandCentral, entre outras, embora fazendo música instrumental ou resgatando vozes à soul.
Eu que via um dos discos anteriores de Sam The Kid como um tesourinho bem guardado de elegância e bom gosto, num meio invariavelmente carente destes adjectivos, fiquei desiludido na expectativa da continuação do rumo deixado em aberto por "beats vol.1 - amor".
Tinha-o em boa conta até vir com aquela coisa do "cantem em português" e tal, eu que até sou um defensor da utilização da nossa língua na música.
Mas se tinha esta qualidade enquanto manipulador de máquinas, para quê cantar?
Sam, volta ao instrumental.
Esqueçam o que conhecem para, sem preconceitos, ouvir estas faixas mais antigas do excelente "beats vol.1 - amor".
E digam lá se não é melhor ouvir o Vítor Espadinha deixar pairar em "Sedução" algumas palavras como só ele sabe fazer - o homem que se questionava espantado: "...mas quem é que nunca comeu uma espanhola ?!? " - do que ouvir o discurso habitual dos rappers...

"Eu, quando era mais novo, havia uma coisa muito bonita que era a sedução."
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sam the kid - sedução
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sam the kid - lances
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sam the kid - arrependimento
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sam the kid - eu e tu
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