(eter)

30 abril 2008

vampire weekend

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a última é para ser utilizada por uma certa menina, se é que ainda não a utilizou nas suas sessões giradisquistas...

29 abril 2008

by the seashore

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Mais uma novidade de 2008, este duo traz-nos uma brisa terna e planante, ideal para o pôr do sol no Verão em boa companhia.

beach house - you came to me
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beach house - gila
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26 abril 2008

23 abril 2008

third


A maturidade envolve uma melhor relação com o tempo, a percepção de que as coisas acontecem no momento exacto em que o fluir natural permite uma aproximação à verdade.
É essa que nos diz que a vida é demasiado curta para ter pressas inconsequentes, que permite montar o animal que transportamos de maneira mais segura no comando das emoções.
Este disco é o resultado de uma dinâmica interpessoal de quem se recusou a fazer uma fuga para a frente e um excelente exemplo de como a contemplação é a forma suprema de atitude perante a vida humana (este apontamento filosófico - a confrontação contemplação/acção - é algo que será tratado mais à frente).
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19 abril 2008

80's (II)


Continuando o périplo pelos deprimentes anos 80, recordo uma rapariga - Sam Brown - que teve uma carreira muito abaixo do que os seus dotes vocais faziam pressupôr.
Acompanhou alguns consagrados fazendo backvocals, entre eles os Pink Floyd.
Muitos de vós dançaram e resfolegaram com as amigas(os) de ocasião, lentamente, em matinés de discotecas quando ainda havia uns minutos para os slows, que era onde a coisa acontecia.
Depois tiravam-se as dúvidas no carro ainda ao som desta música.
Aqui fica, para o bem e para o mal...

(o ponto ao que o (eter) chegou...)

sam brown - stop
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18 abril 2008

14 abril 2008

novidades 2008 - sunday at devil dirt

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Só não digo que é o melhor do ano, porque ainda estamos em Abril e eu sou um gajo ponderado.
Mas que apetece, lá isso...
Só ponho aqui estas três, senão essa malta não ganha a vida, mas o restante dava para fazer mais dois discos de grande nível, enchendo chouriços como faz muita gente.
Vai tornar-se um clássico.
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08 abril 2008

estreias - Sian Alice Group


Sempre gostei de bandas que conseguem que as suas músicas criem uma atmosfera que, passado algum tempo, começamos a visitar como sendo o ambiente x ou y, o qual vamos sentindo e nos vamos acomodando conforme o espectro de sensações convocadas para esse espaço sonoro, que originam sensações e criam espaços etéreos muito próprios.
Esta estreia da banda de Sian Alice, "59.59", abre a porta para algo que estão a construir para que os visitemos mais vezes, a ver vamos se o material acompanha a ideia.
Há espaço para uma certa liberdade sonora dentro das coordenadas iniciais, tentando depois o hipnotismo, utilizando a bela voz de Sian Alice Ahern; embora se precise da predisposição certa para ouvir este tipo de som, ainda assim não faz exigências por aí além.
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sian alice group - contours

sian alice group - days of grace III

sian alice group - murder

04 abril 2008

artes

Informo que os amigos da PIA têm novo site.
A quem estiver interessado em apresentar (em festas e outros eventos) algum tipo de arte performativa nas áreas que eles dominam, não hesitem.
Vindos de um curso na Índia, o Pedro e a Helena continuam o seu processo evolutivo.

audiofilia


As minhas amigas.
É incrível o que estas pequenas conseguem fazer.
Há coisas que desconhecia em certas músicas.

29 março 2008

estreias 2008 - The Do

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Grande estreia esta, deste duo composto por um francês e uma finlandesa.
E que finlandesa...
Decorem o nome desta menina: Olivia B. Merilahti.
Para já, a estreia do ano.
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versões escolhidas (more than filosophy)

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You hand in your ticket
And you go watch the geek
Who immediately walks up to you
When he hears you speak
And says, "How does it feel to be such a freak?"
And you say, "Impossible"
As he hands you a bone

Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?

You have many contacts
Among the lumberjacks
To get you facts
When someone attacks your imagination
But nobody has any respect
Anyway they already expect you
To just give a check
To tax-deductible charity organizations

Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?

Well, the sword swallower, he comes up to you
And then he kneels
He crosses himself
And then he clicks his high heels
And without further notice
He asks you how it feels
And he says, "Here is your throat back
Thanks for the loan"

Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?

Stephen Malkmus & The Million Dollar Bashers - Ballad Of A Thin Man

18 março 2008

novidades 2008

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Um dos bastiões de quem gosta de rock cru, com alguma imaginação e frescura - The Kills - lançaram um bom disco, na senda dos anteriores.
Há sempre, por disco, uma ou duas pérolas que valem a aposta para banda sonora em bares mais alternativos.
Não incluo aqui os singles, facilmente audíveis nos meandros da internet.
As minhas amostras (que são sempre uma espécie de escolhas/apostas) são:
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versões escolhidas (XVII)

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Goodbye my friend, it's hard to die,
when all the birds are singing in the sky,
Now that the spring is in the air.
Pretty girls are everywhere.
When you see them I'll be there.
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We had joy, we had fun, we had seasons in the sun.
But the hills that we climbed
were just seasons out of time.
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Goodbye, Papa, please pray for me,
I was the black sheep of the family.
You tried to teach me right from wrong.
Too much wine and too much song,
wonder how I get along.
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Esta ouvia no preciso momento em que, há cerca de 10 anos, tive um acidente de automóvel, mas na versão original.
Ainda não sei ao certo se morri mesmo, mas posso dizer que, de certo modo, renasci.
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14 março 2008

mensagem de fim de semana

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especialmente dedicado ao Casanova

rodar nos calcanhares

Rodar nos calcanhares é, porventura, o exercício que melhor define a natureza humana, tendo em atenção tudo o que foi necessário passar até que esse movimento fosse possível.
Parece simples de explicar, mas não é.
Experimentem agora; parecendo que não, ajuda.

12 março 2008

versões escolhidas (XVI)

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regresso ao passado

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Depois de mágoas lambidas, entre tortuosos queixumes, eis que o homem volta ao rock, editando um dos melhores discos do género da última década.
Foi como um "ok, já chega; sou o nick cave e estes são os bad seeds, certo?".
Se bem que a ausência de Blixa Bargeld implique a perda de qualquer coisa, certo é que não se nota nada.
Este retrocesso ao passado significa um acréscimo de qualidade e, paradoxalmente, um salto para o futuro, pelo menos o futuro de Nick Cave & the Bad Seeds, para um lugar de onde saíram para ir dar uma voltinha às redondezas, mas para onde voltaram, desiludidos e convencidos.
O que não significa que essa voltinha tenha sido em vão, já que entretanto se puderam escutar umas baladas ao piano (de que muitos se queixam, não eu) e outros projectos paralelos de membros da banda de manifesto interesse (algumas músicas de Serge Gainsbourg já são cantaroladas em inglês quando me descuido).
Irá ser, de caras, um dos melhores do ano.
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11 março 2008

blog reactions

Depois de a habitar durante alguns anos e fazer da bloga um espaço de excreção habitual, eis que alguém - finalmente - me compreende.
A assepsia arredada deste recanto e as provocações subliminares são finalmente compreendidas.
Agradeço profundamente ao Julinho a tarefa, que se tornaria por certo embaraçosa (já para não falar na dificuldade), de explicar as intenções subversivas, provocatórias ou mesmo de um certo desprezo pelos mecanismos formalísticos que se vão criando subliminarmente nesta forma de expressão, e que por vezes se tornam até anedóticos... (olha, agora graças ao Casanova utilizei a dita comma antes da conjunção "e") em que muitos vão caíndo.
Fiquei até comovido.

P.S. - Não posso, porém, deixar passar em claro a estupefacção pela frequência com que sou visitado...mesmo tendo em conta os parâmetros temporais em que a criatura se move.
Só uma justificação bem fundamentada poderá resultar numa acalmia da minha apreensão...

26 fevereiro 2008

22 fevereiro 2008

kitsch (II)

Já há bastante tempo que o momento kitsch não aparece aqui no (eter).

Ainda hesitei em postar isto, mas hoje, porém, ao lembrar-me de uma ex-namorada da juventude, decidi homenagear uma das recordações mais dolorosas da dita, nomeadamente no baixo ventre, depois do slow nos bailes/convívios suburbanos da margem sul e do colinho.
Mais deprimente não há.
Um dos momentos de boa memória aqui neste obscuro recanto foram, certamente, os Da Vinci (ainda não há muito tempo os vi a fazerem compras no Modelo de Pinhal Novo com um belíssimo modelo de fato de treino, com as inevitáveis implicações...).
Mas adiante, já que se fala de um nível poético de assinalar, como por exemplo estes versos de forte teor metafísico, que passo a citar:

"Why, lover why
why do flowers die..."

É difícil esquecer isto.
Se quiserem fazer uso dos pregos e do martelo, bem os compreendo.
O que muitos não sabem é que a banda data de 1979 e são franceses, mais propriamente de Marselha e este single foi lançado em 1986, ano doloroso para os testículos do escriba.
Can you get kitschier than this?

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20 fevereiro 2008

fast jazz made in japan

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Estes japoneses são loucos e utilizam o jazz para extravasar a dita em forma de hardbop, o que equivale ao que eles chamam de "deathjazz".
A rapidez impera e se este não atinge a velocidade frenética do anterior "Pimp Master", "Pimp of the Year" é, se assim posso dizer, mais elegante em algumas faixas, mantendo a vertigem de metais em diálogo - por vezes em luta - noutras.
O single é "summer goddess", mas o conjunto está ao mesmo nível.
Grande disco para quem precisa de libertar aquelas energias que se podem tornar incómodas...
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19 fevereiro 2008

freak mexico (raridades e curiosidades)

Quando visitei o México há uns anos, impressionou-me o comportamento ridículo de alguns jovens deslumbrados pelo american way of life; para dar um exemplo, imaginem uma pick-up 4x4 com uns mexicanos vestidos à cowboy, enquanto os exemplares femininos de 1,40 de altura se exibiam na caixa da carrinha com uns minúsculos bikinis que destacavam as formas avantajadas das meninas, - o que dava uma sensação de serem ainda mais baixas - umas porquinhas pequenas pintalgadas do azul, vermelho e branco correspondentes.
A propósito do desejo de semelhança, nos anos 60/70 apareceram umas gravações curiosas, das quais deixo uns exemplos:


la fachada de piedra - roaming

la libre expression - joven amante

12 fevereiro 2008

more chan covers

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O novo disco de covers de Cat Power, não tendo o efeito surpresa do anterior, já que muito se passou depois disso, é um bom disco, mais maduro e mais dentro do estilo que entretanto consolidou, com as suas características inflexões vocais desviadas do country e com a sua voz de fumo mais descontraída.
Ficam aqui duas versões, uma com o título alterado - rambling (wo)man - e uma música original que faz parte do disco e onde manifesta a sua devoção a Dylan.
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01 fevereiro 2008

banda sonora (XI)

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bandwidth

Finalmente, os links já estão novamente disponíveis.
O problema é que tenho um limite de 5 Gb de downloads por mês.
No último mês atacaram em grande, não sei se devido aos "melhores do ano" os visitantes esgotaram-me os 5 Gb.
Quer isto dizer que há mais 5 Gb a partir de agora, durante trinta dias.
Também não será alheio a tudo isto o conhecimento mais alargado do SkreemR...

28 janeiro 2008

26 janeiro 2008

evento

Recebo regularmente pedidos de divulgação de artistas, editoras ou acontecimentos musicais variados.

Nunca mencionei aqui nenhum deles, embora haja um ou outro que mereçam alguma divulgação, o que será feito a seu tempo.
Mas este não podia deixar passar, já que foi feito pelo Ricardo Mariano e conta com um nome que lançou no ano passado um excelente disco (Ola Podrida) e só não vou porque Coimbra ainda fica distante e existem outros compromissos, mas aqui fica a divulgação:


Ricardo Mariano, Pedro Sousa, Carla Lopes e Sara Mendes - amigos/colegas e todos da RUC - (e outros elementos menos efectivos) , em co-produção com o TAGV, vão organizar no próximo dia 16 de Fevereiro, sábado, um evento/concerto que contará com Ola Podrida e Magic Arm.
Para além do espectáculo, realizar-se-á uma conversa aberta ao público intitulada: "Os territórios indie e as suas fronteiras" .
Para convidados: Valter Hugo Mãe - escritor, editor, bloger, vencedor do prémio José Saramago de 2007 , João Bonifácio - jornalista e crítico musical do Jornal Público/Suplemento Y, Rodrigo Cardoso - lead manager da editora Borland e membro dos Alla Polacca e Rita Moreira - voz da Rádio Oxigénio e ex-colega da RUC.
Será às 15 horas - dia do concerto - no Foyer do Teatro Académico de Gil Vicente.
Para o encerramento das festividades, afterparty no Salão Brazil.

25 janeiro 2008

aviso

Os links para as músicas aqui disponibilizados (Fileden) expiram dentro de 6 dias, portanto é aconselhável fazer os respectivos downloads antes dessa data.
A partir daí, os novos links terão um prazo de mais alguns meses, antes de serem removidos pelo servidor.

10 minutos de jazz

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24 janeiro 2008

staten island


Mais um grande disco de 2007.

Podia ser a banda sonora de uma qualquer série policial nos anos 70.
Junta de forma perfeita o jazz, o afrobeat, o funk e o soul, com uma secção de metais e percussão que sustentam toda a embalagem, na mais pura tradição da música negra.
O segundo disco "Budos Band II" segue o rasto da estreia, que tinha sido excelente.
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18 janeiro 2008

discos perdidos (IV)

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Resta a "Hang On In There" ser uma peça de colecção rara, pretendida por muitos que fazem do coleccionismo um hobbie, sendo que é um vinil que atinge preços exorbitantes devido à sua raridade e obscurantismo de um músico nas coordenadas de Marvin Gaye ou mesmo Curtis Mayfield.
Recuperado anos mais tarde, depois das comparações com "What's Going On", vale a pena conhecer um disco que entretanto ganhou estatuto, como obra de referência que é, perdida entre centenas de edições do género nos anos 70.
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16 janeiro 2008

expectativas

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É com alguma ansiedade que aguardo pelo primeiro disco desta menina este ano.
Ou direi antes incerteza, já que ainda ninguém me disse que Farah vai ter trabalho editado em 2008.
Mas como o meu instinto está muito forte, estou mais disposto a apostar nela do que nos cavalos do Casanova.
E podem confiar em mim quando digo que, a par de Chromatics e Glass Candy, esta menina vai dar que falar.
Sensualidade latente, pós trip, ressaca de ácidos mal refeita, desencanto niilista num cabaret abandonado, onde as últimas batidas pairam como assombrações de um futuro perdido.
Esqueçam isto, deixei-me entusiasmar.

P.S.- Não ficava nada mal a umas meninas da Radar uma referenciazita, já que aqui também se assume apreciativamente a inspiração em certos momentos.
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11 janeiro 2008

yellow

yellow




Ou este.

08 janeiro 2008

ken nordine

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Ao inventor do Word Jazz (música e conceito) devemos muito mais do que as suas gravações.
Devemos-lhe, entre outros, alguns dos discos de Tom Waits ou Laurie Anderson, já que foi a grande referência para quem debita simples palavras, conta desilusões ou crimes ou, desesperadamente, exige vingança, faz um discurso político e declarações de amor com a música em fundo, sempre num registo falado, impregnado de veneno, doçura ou profundidade.
Além da sua carreira na TV norte americana como voz off, fez muitos anúncios, mas a sua contribuição decisiva foi o wordjazz, que soma hoje muitos devotos, como é o meu caso.
Se muitos pensam que o spoken jazz está perto do seu auge em discos como "Nighthawks At The Diner", de Tom Waits, confiram o que este senhor fez a partir de meados dos anos 50, ele que esteve ligado à beat generation.
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07 janeiro 2008

morreu um pouco de liberdade


(excerto da entrevista de JPG a Luiz Pacheco)
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...O Duarte Pacheco era diabético e um trabalhador incansável… estava lá no ministério até às tantas, a beber leite, era um gajo de facto com uma visão do futuro… depois tinha o apoio do velho Salazar, que também não era tão mal como isso… não era tão mal como isso… era péssimo.. mas enfim… era péssimo, mas também não era como estes merdas que há agora…
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[Batem à porta do quarto, entra um homem]

Visita: “Boa tarde"
Pacheco: “Quem é?”
Visita: “Pacheco?”
Pacheco: “Quem fala?”
Visita: “Aqui é o Armindo”
Pacheco: “É o…?”
Visita: “O Armindo”
Pacheco: “Quem é o Armindo?”
Armindo: “Já não te lembras de mim, pá?”
Pacheco: “O Armindo?”
Armindo: “Estivémos presos no Limoeiro”
Pacheco: “Eu sei lá quem é o Armindo, pá…”
Armindo: “Como é que não sabes…? já não te lembras…?”
Pacheco: “Não, filho, não estive preso contigo, nem com a tua avó...”
Armindo: “Também, com esta escuridão… [no quarto do Pacheco]… eu era um miúdo”
Pacheco: “Olha, vai dar uma volta…”
Armindo: “Vou…?”
Pacheco: “Vai dar uma volta e vem cá amanhã… que estamos a gravar… tu estás a ficar aqui gravado, podes ser preso outra vez…”
Armindo: “Está bem pronto, O.K. Agora que estive a dizer que estive preso e tudo… isso é uma reportagem?”
Pacheco: “É, é… é uma reportagem… mas não é da televisão…”
Armindo: “É da TSF?”
Pacheco: “Vem cá amanhã filho e não sejas preso hoje"
Armindo: “Não, eu aliás já me deixei disso”
Pacheco: “Aguenta-te cá fora, vem cá amanhã, mais cedo, que a esta hora já estou a dormir, se não fosse este maluco já estava a dormir…"
Armindo: “Como me disseram que andavas aqui nas tascas, aqui de roda, de vez em quando…”
Pacheco: “Vai dar uma volta…”
Armindo: “Tchau, adeus… isso fica para a reportagem?"
Pacheco: “Fica…”
Pacheco para o entrevistador: “Não sei quem é, nem tenho óculos… Sei lá quem é esse gajo… Quem será este cabrão, nem vi a cara dele… Armindo? Puta que o pariu. Se ele esteve no Limoeiro deve ser um grande fodido, ainda me rouba… Eu estive no Limoeiro com milhares de gajos, porra, olha o que faltava agora era aparecer-me aqui a tropa toda, milhares de gajos... eu estive lá 3 vezes, imagina o que não era..."
O que é, para si, um libertino?
"As pessoas não percebem nada do que é o libertino. O termo ficou, na linguagem vulgar, associado a coisas disparatadas, como sinónimo de devassidão. Ora libertino não é apenas um devasso. Não é apenas aquele tipo que gosta de ir para a cama com homens, com mulheres, com todos ao mesmo tempo... O libertino é um tipo livre, que está contra todas as tiranias. O Sade, por exemplo... aquilo que o Sade conta está quase tudo dentro da imaginação dele... Repara: o gajo esteve quarenta e tal anos prisioneiro em masmorras e hospícios, e à ordem de quatro regimes: a realeza absoluta, a realeza constitucional, a Revolução e o Império, o que mostra bem como o libertino é o maior inimigo de todos os sistemas e como estes o odeiam, o temem. Porque os sistemas são a ordem e o conforto, ao passo que o libertino é a aventura, é o descontrolo. O Sade está aí. O Sade está entre nós. Mais: o Sade está em todos, dentro de nós."
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[Bate à porta um velho para informar que o almoço é empadão]
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Pacheco: “Este gajo irrita-me. Quando estou a dormir na cadeira ele grita: BOM DIA. Ele não diz bom dia, ele atira o bom dia como quem atira uma pedra."
"... opá, um tipo que quer fazer carreira, se não for parvo de todo e for um bocadinho filho da puta... é facílimo... O meio literário é de cortar à faca, é muito fácil de penetrar. Eu, que nasci em Lisboa, via-os chegar da província, os Namoras, os Amândios César, os Paço d’Arcos, etc., andavam por aí a borbulhar, a deslizar, a ver quem chega primeiro.É como os espermatozóides."
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Considera-se um marginal?
"Eu não me considero coisíssima nenhuma. Eu considero-me um gajo que está aqui sentado."

"... a Maria João Rolo Duarte sabia que o Cesariny recebia mais que eu e, numa festa em que encontrou o Santana Lopes, fê-lo prometer que me aumentava o subsídio. Como ela escrevia na Capital, publicou um texto que comprometeu o Santana. Recebi mais 30 contos por mês, passou para 90 contos. Mais trinta contos por mês, um conto por dia... de repente apareceu-me lá em Setúbal uma carta com retroactivos, 6 meses, foi um balúrdio... 30 contos é uma grande diferença... Gosto do Santana por causa disso. E também porque é um playboy, um gajo dos copos, das discotecas…"

"... De repente sou confrontado com situações de que não lembro de nada... eu andei debaixo de álcool, álcool misturado com drogas, não é o haxixe e essas coisas que vocês tomam agora, era o Lorenine, era o Valium, era essas merdas. Eu tinha dias em que não me lembrava, no dia seguinte, absolutamente de nada... podem contar-me tudo o que quiserem que eu não vou negar, mas vou negar para quê? Já não consegues desfazer em muita gente a opinião que fazem de ti, é muito difícil de desfazer... por exemplo, o B.B., foi ele que apresentou esse livro de Coimbra, o lançamento foi ali na livraria Ler Devagar... eu não fui lá, ficou muito ofendido... eu se fosse lá era para lhe dar com uma bengalada... o gajo começa: “Luiz Pacheco, bebedeiras, prisões, sexo bilateral... até parece que ninguém viu o B.B. bêbedo... eu por acaso vi... às vezes aparecem-me aqui gajos que dizem que me conhecem... sei lá quem são os gajos, não faço ideia nenhuma... um dia destes apareceu aqui um gajo: “eu sou o António Carranca”, como quem diz “eu sou o Napoleão”... eu não fixo caras... quando você chegou aqui, se dissesse “eu sou o Kadafi”, eu acreditava..."
"... Como é que foi o seu 25 de Abril? Opá, os colhões do Padre Inácio... já ninguém liga ao 25 de Abril..."

"... Agora não respondo mais nada... estou cansado... são 80 anos, caramba!... vá, pira-te que eu tenho de mijar e tenho de ir comer qualquer coisa..."